Há marcas que nascem em Genebra, Biel ou La Chaux-de-Fonds com séculos de tradição atrás do nome. E há outras que chegam tarde à festa e, mesmo assim, conseguem fazer o colecionador mais exigente parar para olhar duas vezes. A Christopher Ward é do segundo grupo — e não é por acaso que ela virou uma das marcas mais comentadas entre entusiastas brasileiros nos últimos anos.
Fundada em 2004 por três ingleses com uma ideia simples e, à época, quase radical — fazer relojoaria suíça de verdade, com movimentos de primeira linha, acabamentos cuidadosos e design autoral, sem os markups absurdos que o luxo tradicional cobra —, a Christopher Ward cresceu do zero até se tornar uma das referências globais no segmento de luxo acessível. Em um mundo onde relógios suíços de entrada já custam o preço de um carro usado, ela segue entregando aquilo que muita gente achava que não existia mais: um Swiss Made de qualidade real, em uma faixa que faz sentido para quem quer montar uma coleção sem hipotecar a casa.
Neste guia, vamos apresentar a marca em profundidade e quatro modelos que estão disponíveis na New Store e representam bem o DNA da Christopher Ward: The Twelve, o luxo esportivo com bracelete integrado; o C60 Trident Pro 300, o mergulhador ícone da marca; o C63 Sealander GMT, o viajante mais inteligente da faixa; e o C65 Dune Aeolian, o field watch com alma artística.
Quem é a Christopher Ward
A história começa em 2004, quando três amigos — Mike France, Chris Ward e Peter Ellis — decidiram fazer algo que parecia contra-intuitivo naquele momento do mercado: criar uma marca de relojoaria suíça vendendo direto ao consumidor, sem intermediários, sem lojas físicas de luxo e sem o markup tradicional de varejo. A proposta era entregar qualidade suíça pelo preço que ela realmente deveria custar se você pagasse apenas pelo produto — e não por campanhas publicitárias milionárias, patrocínios de esportes de elite e vitrines em boulevards parisienses.
Com o tempo, a Christopher Ward deixou de ser apenas uma marca de bom custo-benefício e passou a mostrar ambição horológica real. A prova mais clara disso veio com o lançamento do calibre SH21, o primeiro movimento proprietário da marca, com cinco dias de reserva de marcha, e mais recentemente com projetos como o Bel Canto (repetição de sonerie em um relógio mecânico que custa menos que muitos quartz de marca famosa) e o C12 Loco, com hora saltante. São relógios que poderiam assinar a ficha técnica de casas suíças com séculos de história.
Hoje, a Christopher Ward opera a partir de um atelier em Biel, na Suíça — o que significa que o selo Swiss Made nos mostradores dela não é cosmético: é real. A marca também é conhecida por detalhes como o design de caixa Light-catcher™, a garantia 60/60 (60 dias para devolução mais 60 meses de garantia no movimento), e pelo programa 2% for Good, que destina 2% do lucro líquido a causas sustentáveis.
O que torna uma Christopher Ward diferente
Três coisas separam a Christopher Ward da maioria das marcas que competem na mesma faixa de preço.
Primeiro, o acabamento. A identidade visual da caixa Light-catcher™, com superfícies alternando escovado e polido, cria aquele brilho vivo que você normalmente só vê em relógios muito mais caros. É o tipo de detalhe que dificilmente aparece em fotos — é preciso ter a peça na mão para entender.
Segundo, a decoração do movimento. Mesmo usando calibres Sellita prontos, a CW aplica acabamento Colimaçoné (em espiral, como uma concha de caracol) nos rotores e grava o logo twin-flags de forma visível pela tampa traseira. Você vê trabalho de manufatura onde a maioria das marcas simplesmente parafusa a tampa e esconde tudo.
Terceiro, o design autoral. Quando a CW trocou o antigo logo “smile” (posicionado às 9h, controverso entre entusiastas) pelo atual emblema de bandeiras gêmeas às 12h, a marca não apenas modernizou a imagem — inaugurou uma linguagem visual coerente que se desdobra em pequenos detalhes ao longo de toda a coleção atual. É uma das raras marcas contemporâneas com identidade própria real, nem clone de Rolex, nem cópia de Patek.
Os 4 modelos em destaque
Os quatro relógios abaixo cobrem praticamente todo o repertório funcional que um colecionador pode querer da marca: um esportivo de bracelete integrado, um mergulhador, um GMT de viagem e um field watch. Todos disponíveis no Brasil pela New Store.
C12 The Twelve — O luxo esportivo redesenhado

Se a Christopher Ward fosse medida por um único relógio capaz de mostrar o que a marca é capaz quando assume toda a sua ambição, esse relógio seria o The Twelve. Lançado em 2023 após seis anos de desenvolvimento, ele é o primeiro bracelete integrado da marca em treze anos — desde o C20 Lido de 2008 — e entrou direto no debate dos sports watches contemporâneos ao lado de referências muito mais caras.
O nome vem do bezel dodecagonal (doze lados), um gesto de design que cria uma silhueta sutilmente “escalopada” e imediatamente reconhecível. O mostrador é uma obra à parte: um padrão piramidal tridimensional que referencia o próprio logo twin-flags e muda de personalidade conforme a luz — sóbrio sob iluminação difusa, quase joalheiro sob luz direta.

Na caixa de 40 mm (também disponível em 36 e 38), o The Twelve tem apenas 9,95 mm de espessura. Essa magreza, somada ao bracelete integrado com clasp borboleta e micro-ajuste de até 3 mm, faz com que o relógio “suma” no pulso de um jeito que poucos esportivos integrados conseguem. Em uma clara referência ao Royal Oak, a tampa traseira é fixada por seis parafusos expostos.
No coração do The Twelve bate o Sellita SW200-1, um dos calibres mais confiáveis do mercado suíço, com 38 horas de reserva de marcha e 4 Hz de frequência. É o tipo de combinação que o colecionador experiente aprecia: acabamento de vitrine com movimento de uso real.

→ Veja o Christopher Ward The Twelve na New Store
C60 Trident Pro 300 — O mergulhador ícone da marca
Se o The Twelve mostra onde a Christopher Ward quer chegar, o C60 Trident Pro 300 mostra por que a marca é respeitada desde sempre. O Trident é a família mais longeva do catálogo, e essa geração (conhecida entre colecionadores como Mk3) é o ponto em que tudo que a marca aprendeu em vinte anos se consolida em um mergulhador que, objetivamente, entrega mais do que deveria dentro da sua faixa.
A caixa de 40 mm em aço 316L — disponível também em 38, 42 e 44 — tem apenas 11,3 mm de espessura, o que é notável para um relógio com 300 metros de resistência à água. O bezel unidirecional é em cerâmica de zircônia (ZrO₂) com marcadores preenchidos em Super-LumiNova® Grade X1 BL C1, e o click de giro foi cuidadosamente calibrado, sem folga. O mostrador branco lacado com realce em preto conversa tanto com referências vintage quanto com o vocabulário contemporâneo da marca.
Por dentro, mais um Sellita SW200-1, com 38 horas de reserva de marcha e 26 rubis. A tampa traseira é de exibição — algo incomum em mergulhadores dessa profundidade — e revela o rotor com acabamento Colimaçoné e a gravação twin-flags.
É o tipo de relógio que funciona igualmente bem debaixo d’água em uma viagem ao Caribe e no pulso durante uma reunião de negócios. O ponto doce do catálogo para quem quer uma só Christopher Ward.
→ Veja o Christopher Ward C60 Trident Pro 300 na New Store
C63 Sealander GMT — O viajante mais inteligente da faixa

Os GMT são uma categoria perigosa para marcas no segmento de luxo acessível: o benchmark inevitável é o Rolex GMT-Master II, e qualquer peça nessa faixa corre o risco de parecer apenas uma “alternativa”. O C63 Sealander GMT escapa dessa armadilha fazendo algo diferente: em vez de copiar o bezel giratório tradicional, ele adota um bezel fixo de 24 horas, inspirado nos GMT-exploradores usados por espeleólogos nos anos 1970, que precisavam de uma referência imutável quando estavam perdidos em cavernas sem luz solar.
Essa escolha muda tudo. O mostrador preto lacado com o grande ponteiro GMT em laranja vivo — coberto de Super-LumiNova Grade X1 BL C1 — fica com uma legibilidade absurda, e o posicionamento da data às 6 horas dá ao relógio uma simetria que a maioria dos GMTs sacrifica em nome da coroa de ajuste.

A caixa de 39 mm é um dos diâmetros mais versáteis já feitos para um GMT moderno — grande o suficiente para funcionar como “tool watch”, pequena o suficiente para deslizar sob o punho de uma camisa social. A espessura de 11,85 mm ajuda nisso. O movimento é o novo Sellita SW330-2 GMT, com uma reserva de marcha confortável de 56 horas e ponteiro das 24 horas ajustável independentemente.

Como detalhe final, a pulseira em couro Italian Vintage Oak vem com o sistema quick-release — você troca por uma Aquaflex rubber em segundos, sem ferramentas. Para quem viaja, isso transforma o Sealander GMT em várias peças diferentes dentro da mesma caixa.
→ Veja o Christopher Ward C63 Sealander GMT na New Store
C65 Dune Aeolian — O field watch com alma artística

Se existe uma categoria subavaliada na relojoaria contemporânea, é a dos field watches. Eles foram reduzidos ao papel de “relógio militar” ou “relógio vintage Hamilton”, e poucas marcas tentaram repensar o que esse formato pode ser no século XXI. O C65 Dune Aeolian é exatamente isso: um field watch que não tem medo de ser bonito.
A grande sacada do modelo está no mostrador. O padrão chamado Aeolian (em referência ao deus grego dos ventos) é uma textura tridimensional em ondas, inspirada diretamente nos desenhos que o vento forma nas dunas de areia — com referência explícita à mítica Dune du Pilat, na Aquitânia francesa. Na versão Marram (verde-musgo), o efeito é hipnótico: o mostrador muda de personalidade conforme você movimenta o pulso.

A caixa é outro acerto: 38 mm de diâmetro, apenas 43,6 mm de lug-to-lug — ou seja, funciona bem em pulsos de 16 até 19 cm — e um vidro box em sapphire que dá aquela “deformação” vintage tão querida dos anos 1950 a 1970. A CW tirou até a janela de data para manter a pureza do layout do field watch. E mesmo com toda essa pegada retrô, a resistência à água é de 150 metros. Por baixo, o Sellita SW200-1, com 38h de reserva e acabamento decorado visível pela tampa.




Para quem tem um mergulhador e um dress watch na coleção e procura um terceiro relógio que faça o papel de “fim de semana, viagem, vida real”, este é provavelmente o melhor field watch da faixa hoje.
→ Veja o Christopher Ward C65 Dune Aeolian na New Store
Por que a Christopher Ward faz sentido para o colecionador brasileiro
O mercado brasileiro tem uma característica particular: quem coleciona relógios aqui costuma priorizar peças que equilibrem três coisas ao mesmo tempo — acabamento real, discrição no uso diário e valor de revenda razoável. A Christopher Ward atende bem aos dois primeiros pontos e, nos últimos anos, tem mostrado tração crescente também no terceiro: o The Twelve e o Bel Canto viraram peças com demanda consistente no mercado secundário internacional.
Além disso, a CW funciona muito bem como ponte entre mundos: é o relógio que você usa no lugar do seu Rolex ou JLC quando a ocasião pede discrição, mas que, por si só, já é um Swiss Made autêntico com acabamento que conversa com marcas três ou quatro vezes mais caras. Para quem está começando, é uma das melhores portas de entrada para relojoaria suíça real. Para quem já coleciona, é a peça que sai do cofre.
Onde comprar no Brasil
Os quatro modelos deste artigo estão disponíveis na New Store, revendedora oficial da Christopher Ward no Brasil, com todas as garantias internacionais e entrega para todo o país.
- Christopher Ward The Twelve 40mm — mostrador branco
- Christopher Ward C60 Trident Pro 300 40mm — mostrador branco
- Christopher Ward C63 Sealander GMT 39mm — mostrador preto
- Christopher Ward C65 Dune Aeolian 38mm — mostrador verde
Ficha Técnica
C12 The Twelve
- Caixa: 40 mm × 9,95 mm — aço inoxidável escovado, polido e jateado — bezel dodecagonal (12 lados)
- Lug-to-lug: 44,5 mm
- Vidro: sapphire com tratamento antirreflexo
- Resistência à água: 100 m (10 ATM)
- Mostrador: branco, padrão piramidal tridimensional 3D, índices escovados com facetas polidas em diamante, hands-set preenchido em Super-LumiNova® Grade X1 BL C1
- Movimento: Sellita SW200-1 automático — 26 rubis — 28.800 vph (4 Hz) — reserva de marcha de 38 horas — precisão de ±20 seg/dia — acabamento Elaboré Colimaçoné no rotor com gravação twin-flags
- Bracelete: aço inoxidável marine-grade integrado, 25 mm, gravação “Christopher Ward”, fecho borboleta com micro-ajuste de até 3 mm
- Tampa traseira: exhibition (sapphire) fixada por seis parafusos expostos
C60 Trident Pro 300
- Caixa: 40 mm × 11,3 mm — aço inoxidável Light-catcher™ escovado e polido
- Lug-to-lug: 47,45 mm
- Vidro: sapphire com tratamento antirreflexo
- Bezel: unidirecional em cerâmica de zircônia (ZrO₂) com marcadores preenchidos em Super-LumiNova® Grade X1 BL C1
- Resistência à água: 300 m (30 ATM)
- Mostrador: branco lacado, ponteiro de segundos com contra-peso Trident, hands-set preenchido em Super-LumiNova
- Movimento: Sellita SW200-1 automático — 26 rubis — 28.800 vph (4 Hz) — reserva de marcha de 38 horas — precisão de ±20 seg/dia — acabamento Elaboré Colimaçoné
- Pulseira: híbrida Cordura® e rubber, 20 mm, com pinos quick-release
- Tampa traseira: exhibition (sapphire) parafusada
C63 Sealander GMT
- Caixa: 39 mm × 11,85 mm — aço inoxidável 316L marine-grade Light-catcher™, escovado e polido
- Lug-to-lug: 45,8 mm
- Vidro: sapphire com tratamento antirreflexo
- Bezel: fixo de 24 horas, escovado e polido, com preenchimento preto lacado
- Resistência à água: 150 m (15 ATM)
- Mostrador: preto lacado, índices top-brushed com facetas polidas em diamante, ponteiro GMT em laranja Pantone, hands-set com Super-LumiNova® Grade X1 BL C1, janela de data às 6 horas
- Movimento: Sellita SW330-2 GMT automático — 25 rubis — 28.800 vph (4 Hz) — reserva de marcha de 56 horas — precisão de ±20 seg/dia — ponteiro GMT ajustável independentemente
- Pulseira: Italian Vintage Oak (couro italiano), 20 mm, preta, com pinos quick-release
- Tampa traseira: exhibition (sapphire) parafusada
C65 Dune Aeolian
- Caixa: 38 mm × 11,70 mm — aço inoxidável escovado e polido
- Lug-to-lug: 43,6 mm
- Vidro: box sapphire (estilo vintage) com tratamento antirreflexo
- Resistência à água: 150 m (15 ATM)
- Mostrador: Marram (verde), padrão ondulado 3D em lacquer fosco, sem janela de data, hands-set e índices preenchidos em Super-LumiNova® BL Grade X1, logotipo twin-flags aplicado às 12h
- Movimento: Sellita SW200-1 automático — 26 rubis — 28.800 vph (4 Hz) — reserva de marcha de 38 horas — precisão de ±20 seg/dia — acabamento Colimaçoné no rotor
- Pulseira: canvas webbing camel, 20 mm, com fecho dress e gravação “Christopher Ward”
- Tampa traseira: exhibition (sapphire) parafusada
- Coroa: rosqueada com gravação twin-flags
Gostou deste guia sobre a Christopher Ward? Acompanhe o No Mundo dos Relógios para mais reviews, guias de marca e lançamentos da relojoaria internacional. Os modelos apresentados estão disponíveis no Brasil pela New Store.
